Comunità di S.Egidio


 

7 de Setembro de 2000

Minicimeira pela Paz em Lisboa
Comunidade de Sant'Egídio promove encontro internacional

 

Uma iniciativa contra a ideia de uma Europa-fortaleza e para dar ao continente europeu um lugar importante pela paz no mundo. Entre 24 e 26 de Setembro, a Comunidade de Sant'Egídio (CSE) promove em Lisboa o XIII Encontro Internacional Homens e Religiões, desta vez subordinado ao tema "Oceanos de paz - Religiões e Culturas em Diálogo". Uma espécie de mini-cimeira internacional, com a participação de líderes políticos e religiosos de todo o mundo, que ontem foi apresentada em Lisboa.

Entre os convidados e participantes, não vai estar, afinal, o Presidente Abdurrahman Wahid, da Indonésia, cuja presença chegou a estar prevista. Wahid estaria no encontro antes de iniciar oficialmente a viagem de Estado a Portugal. Mas, há 10 dias, o gabinete de Wahid anunciou à organização do encontro que a sua presença não se concretizaria. Mario Marazzitti, responsável pelas relações internacionais da comunidade, disse que desconhecia as razões para a alteração de planos.

Marazzitti confirmou, entretanto, muitas outras presenças de uma lista de notáveis da cena política e religiosa internacional. Há presidentes da República: o português Sampaio, o senegalês Wade, o cabo-verdiano Mascarenhas Monteiro, e Kumba Yalá, da Guiné-Bissau. Também primeiros-ministros: de Portugal, António Guterres, de Itália, Giuliano Amato, de Marrocos, El Youssoufi. Estarão também os ex-presidentes português Mário Soares e italiano Oscar Luigi Scalfaro, bem como o presidente da Generalitat da Catalunha, Jordi Pujol, o secretário-geral da Amnistia Internacional, Pierre Sané, e Jean Daniel, director de "Le Nouvel Observateur". Entre responsáveis religiosos, contam-se cardeais e bispos católicos, responsáveis ortodoxos, protestantes e anglicanos, líderes judaicos e islâmicos, e dirigentes do hinduísmo e do budismo, entre outros.

Justificando a escolha da cidade de Lisboa para a realização da iniciativa - o Patriarcado associou-se à organização e a Fundação Mário Soares colabora -, Mario Marazzitti afirmou que a capital portuguesa simboliza o "cruzamento de oceanos". E que, no mundo contemporâneo, se torna importante dar uma dimensão humana ao fenómeno da globalização. "Há o risco de perder a Ásia, a África e a América Latina", com a sida devastadora em África e os problemas da pobreza e dos desequilíbrios por todo o lado.

O papel das religiões como causas de paz foi sublinhado por Marazzitti. "As religiões devem esvaziar as causas da guerra e não ser gasolina para as atear", afirmou o responsável de Sant'Egídio (a mesma que mediou o processo de paz de Moçambique). Que considera que o documento do Vaticano anteontem divulgado, que aponta a supremacia da Igreja Católica sobre as outras religiões (ver PÚBLICO de ontem), não prejudicará a iniciativa. "Acreditamos profundamente na necessidade do diálogo e na inevitabilidade do ecumenismo", afirmou, recordando que em 1986, quando o Papa convocou todas as religiões do mundo para o encontro de oração pela paz em Assis, o clima e o entendimento neste campo "eram muito piores".

O encontro, que decorre no Centro Cultural de Belém, começa com uma sessão solene na tarde do dia 24. Antes, de manhã, o patriarca de Lisboa preside a uma missa no Mosteiro dos Jerónimos, onde estarão representadas outras confissões cristãs. Dias 25 e 26 (só de manhã) haverá mesas redondas sobre temas tão diversos quanto as religiões e a paz no Médio Oriente, o diálogo entre crentes e humanistas, a oração, o contributo das religiões para a paz, a autocrítica religiosa, o renascimento africano ou os desafios da Ásia.

Para esses debates, os interessados em participar (a inscrição é gratuita) só têm que se inscrever no secretariado do encontro (Rua do Crucifixo, 7, tel. 213233402, em Lisboa), para poder ter direito aos bilhetes destinados a controlar a limitação dos espaços disponíveis.

O encontro terminará com um tempo de oração na Baixa de Lisboa, em sete lugares diferentes, em função das tradições religiosas, à volta da Igreja de São Domingos. A partir das 18h30 de terça-feira, uma caminhada dirige-se do Rossio, pela Rua do Ouro, até à Praça do Município, onde decorre a cerimónia final.

António Marujo