|
|
|
|
|
21 de setembro de 2000 |
|
Na
paz de Cristo |
|
|
A comunidade de Santo Egídio foi fundada em Roma, em 1968. Em Lisboa, existe há dez anos. Constituída maioritariamente por leigos, o grupo ganhou destaque pelo seu envolvimento na mediação de conflitos internacionais. O processo de paz de Moçambique, a plataforma alcançada na Argélia, e a libertação de Ibrahim Rugova, o líder kosovar albanês, são alguns dos resultados daquela que foi apelidada de "diplomacia secreta do Vaticano". Este encontro realiza-se numa altura em que a Igreja Católica é acusada de regredir nas suas posições sobre o diálogo ecuménico. A publicação da declaração Dominus Jesus, atribuída ao cardeal Ratzinger, prefeito para a Congregação da Doutrina da Fé, atribui às religiões reformadas o estatuto de "comunidades cristãs", em vez de igrejas, como estas pretendem. Isabel Bento, 34 anos, membro da comunidade de Santo Egídio, não traça uma ligação entre os dois assuntos. "O encontro fala por si quanto aos nossos propósitos. Só pelo diálogo é possível chegar à paz e isso é válido para crentes e para não-crentes", frisa. Oceanos de Paz é o lema que reunirá líderes espirituais e políticos de vários continentes, com destaque para as presenças do patriarca ortodoxo arménio Mesrob II, do rabi-chefe de Haifa, Shear-Yashuf Cohen, do secretário-geral da Conferência Islâmica, Azz al-Din Laraki, bem como dos presidentes do Senegal, Abdoulaye Wade, da Gâmbia, Yahya Jammeh, e do Benim, Mathieu Karekou, e do primeiro-ministro italiano, Giuliano Amato. Prevista chegou a estar a presença do Chefe de Estado indonésio, Abdurrahman Wahid, que acabou por declinar o convite. A sessão solene de abertura, no dia 24, contará com as presenças do Presidente português, Jorge Sampaio, do cardeal patriarca de Lisboa, D. José Policarpo, e do fundador da comunidade italiana de Santo Egídio, Andrea Riccardi. À noite haverá uma recepção oficial no palácio de Belém. Paulo
Pena |
|