Comunità di S.Egidio


 

05/08/2003


Paz aterra na Libéria

 

O primeiro contingente de forças da paz da Comunidade Económica de Estados da África Ocidental (CEDEAO) aterrou ontem na Libéria com o objectivo de pôr fim aos confrontos sangrentos que há dois meses se verificam na capital do país, Monróvia, e que fizeram centenas de vítimas civis.

Para já são apenas 40 _ outros 60 estavam previstos chegar durante a noite _, dos 1500 que o Governo da Nigéria prometeu enviar, e integram-se numa força multinacional de manutenção da paz (Ecomil) que pode chegar a 3250 homens até 1 de Outubro. Além da Nigéria, que enviará o maior contingente, também se comprometeram com soldados o Benim, Gana, Mali e Togo.

Cansados dos combates, a morrer de fome e das balas, os liberianos receberam os soldados com alívio e alegria. Assim que os dois helicópteros brancos das Nações Unidas desceram no aeroporto Robertson e os soldados tomaram as suas posições, ouviram-se comemorações nas ruas de Monróvia. O coronel Emeka Onwuam foi mesmo levado em ombros pela multidão.

Quanto a soldados dos EUA, tão desejados pelos liberianos devido aos laços que unem os dois países (a Libéria foi fundada por antigos escravos americanos no século XIX), não figura a sua presença na resolução da ONU que autoriza a intervenção de uma força internacional. Porém, Washington disponibilizou dez milhões de dólares para financiar o começo da operação e, diz a BBC, há navios de guerra ancorados ao largo, prontos a navegarem até à costa liberiana assim que os militares africanos estejam no terreno.

Sékou Damate Conneh, presidente do grupo rebelde Liberianos Unidos pela Reconciliação, voltou a afirmar em Roma, onde se encontra de visita a convite da comunidade de Santo Egídio, que os seus soldados se preparam para retirar. «Estamos prontos para receber a força de paz na Libéria. Assim que esta se encontre colocada na cidade e no porto para salvar os civis, estamos prontos a retirar imediatamente».

Também o Presidente Charles Taylor, que anunciou já por diversas vezes que abandonava o país, mas permanece no seu palácio de Monróvia, se congratulou pela chegada da força internacional, se tal representar o «fim dos bombardeamentos sobre civis inocentes».

A Ecomil tem por missão fazer cumprir o acordo de paz assinado entre os rebeldes e o Governo liberiano no passado mês de Junho, em Accra, no Gana. O acordo prevê um cessar-fogo e a saída do país do Presidente Taylor. Este prometeu no dia 11 aceitar a oferta de asilo político da Nigéria. Sob a sua cabeça pende um mandado de captura emitido pelo Tribunal Internacional para a Serra Leoa, por crimes de guerra e contra a humanidade, cometidos durante a guerra civil na Serra Leoa.

A situação humanitária em Monróvia mantém-se crítica, com a população aglomerada no centro da capital por temor a ser apanhada pelos combates. O porto está na mão dos rebeldes desde a semana passada, mas os soldados governamentais mantém o controlo de uma ponte estratégica.

António Rodrigues