Comunità di S.Egidio


 

20/11/2003


Angola e Guiné-Bissau beneficiarão de projecto de luta anti-SIDA

 

Angola e a Guiné-Bissau vão beneficiar de um projecto de combate à epidemia da SIDA, com "resultados excepcionais" em Moçambique, anunciou hoje em Joanesburgo o porta-voz da Comunidade de Santo Egídio, promotora do chamado programa "Dream".

Mario Marazziti sublinhou que ao fim de 18 meses de execução do programa "Dream" em 11 centros de saúde de Moçambique, o projecto já conseguiu resultados no combate à SIDA superiores aos alcançados em países desenvolvidos, incluindo o facto de 97 por cento dos filhos de mães contaminadas terem já nascido sem apresentarem sinais de infecção.

Aquele responsável adiantou que o projecto assenta numa estratégia assente na prevenção, medicação, controlo e acompanhamento sanitário e alimentar, e foi aplicada pela primeira vez em Moçambique.

"Mesmo a nível de adultos, os nossos resultados têm sido extremamente bons", sublinhou.

"Conseguimos a sobrevivência de nove em cada 10 das pessoas com SIDA que estamos a acompanhar, e os que perdemos foi porque já nos chegaram em fase extremamente avançada e debilitados", disse Mario Marazziti.

O porta-voz da Comunidade de Santo Egídio acrescentou que o projecto partiu da convicção de que a crise da SIDA em África, e na África Austral em particular - regiões que albergam dois terços dos contaminados a nível mundial -, não só não era um desastre sem solução, como se impunha avançar uma intervenção urgente viável e eficaz.

"Estamos aqui para vos comunicar em primeira mão que o nosso modelo é efectivo e os resultados são notáveis", assegurou Marazziti numa conferência de imprensa em Joanesburgo.

"Acreditamos que este é um modelo de sucesso a ser seguido no resto do continente, em outras zonas do mundo mais atingidas pela SIDA. Falta-nos apenas ainda o necessário apoio financeiro, mas não será por esse problema que iremos parar", garantiu.

Depois de anunciar que Angola, Guiné-Bissau, Tanzânia e Malaui serão os próximos países a beneficiar deste projecto, o porta-voz garantiu - sob interpelação da Lusa - que o espartilho financeiro não impedirá tal alargamento.

"Podemos ter de ir mais devagar do que o desejado, mas através da criatividade e entreajuda com outras instituições chegaremos lá", sustentou.

Cerca de sete mil pessoas já foram testadas até hoje em Moçambique ao vírus da SIDA ao abrigo do projecto, um processo em que foram diagnosticados três mil seropositivos, um terço dos quais se encontra a receber tratamento regular e os restantes a serem acompanhados.

"Estamos ainda a preparar com o bispo de Joanesburgo o estabelecimento de uma série de pontos do programa "DreamÈ no corredor de Joanesburgo com Maputo, que é uma faixa de especial incidência desta epidemia", revelou.

A Comunidade de Santo Egídio é uma organização humanitária internacional sediada em Roma, fundada em 1968 e que foi distinguida com o Prémio de Paz da UNESCO em 2000, pelo papel central desempenhado nas negociações conducentes ao fim da guerra civil em Moçambique.