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Joanesburgo, 16 Mar (Lusa) - A Guiné-Bissau é o próximo alvo do projecto DREAM de combate Sida em frica, desenvolvido pela Comunidade de Santo Egídio, depois do sucesso da experiência inicial em Moçambique, afirmou hoje ag ncia Lusa o porta-voz do projecto.
"Depois de termos iniciado o projecto apenas em Maputo, dispomos actualmente de 13 centros em todo o território de Moçambique e a intenção é de alargar a rede não só neste país como a seis outros países já identificados, nalguns dos quais já começámos a dar os primeiros passos", adiantou Marazziti.
O porta-voz da Comunidade de Santo Egídio afirmou Lusa que o primeiro destes novos destinos a Guiné-Bissau, onde o projecto DREAM arrancará a partir de um hospital que a organização teve de reabilitar após ter servido de base militar senegalesa, durante a guerra civil no país.
Mario Marazziti falava pouco depois de ter anunciado em conferência de imprensa, em Joanesburgo, os resultados da aplicação do projecto em Moçambique durante os dois últimos anos, descritos como "espectaculares" e "sem precedentes no continente africano".
Segundo a mesma fonte, que citou estatísticas compiladas pela organização, 97 por cento dos filhos de mães seropositivas submetidas ao método do DREAM nasceram seronegativos enquanto 95 por cento dos moçambicanos doentes com Sida que cumpriram igual protocolo continuavam
vivos ao fim de 400 dias.
"Após os dois primeiros anos, o DREAM deu os melhores resultados de sempre na África Austral e nove em cada 10 adultos a receberem em pleno a terapia de três anti-retrovirais e apoio multifacetado vivem bem e começaram novas vidas", sustentou Marazziti.
"Tendo sido protagonista no processo de paz em Moçambique, assinado em Roma após dois anos e meios de negociações, a Comunidade de Santo Egídio viu a Sida como um segundo e talvez mais mortal conflito a ser bloqueado e extinto", afirmou o porta-voz ao explicar as raízes do projecto.
O DREAM consiste na aplicação de uma Terapia Antiretroviral Altamente Activa (HAART) - onde se combinam três drogas para fomentação do sistema imunológico e combate presen a de vírus no sangue, sob acompanhamento laboratorial próximo e contínuo dos pacientes.
Articula-se ainda com programas de alimentação adequada, educação sobre cuidados sanitários específicos, e combate a doenças oportunistas.
"O nosso principal foco é a mulher. Depois as crianças.
Queremos travar a transmissão da doença da mãe contaminada para os filhos e manter aquela viva. A terapia é exequível, efectiva e gratuita", assegurou o porta-voz.
Marazziti descreveu como "um erro terrível" optar-se pela solução "mais barata" de reduzir o ataque a esta doença a um único anti-retroviral, como a Nevirapine, porque se esta droga é eficaz ao nível da produção de células brancas, já não o é, ao mesmo nível, no combate viral. "Não somos contra a Nevirapine", precisou ao ser confrontado pelos jornalistas de que este será o anti-retroviral a distribuir a nível nacional pelo governo sul-africano.
"Nós usamo-lo, mas dentro de um 'cocktail' (de outros fármacos). De outra forma corre-se o risco de se estar a criar uma resistência ao uso no futuro de uma terapia tipo HAART".
O porta-voz precisou depois que a prioridade da organização é actualmente reduzir os encargos relacionados com a aplicação desta terapia (cerca de 800 dólares por pessoa/ano) através de acordos com empresas farmacêuticas e atrair parceiros, como o Banco Mundial.
"Oitocentos dólares por pessoa por ano pode parecer e é muito dinheiro, mas são números irrisórios quando comparado com as verbas gastas em guerras e produtos cosméticos, por exemplo.
Vistas assim as coisas não é nada. É apenas uma questão de opções", sublinhou Marazziti.
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