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| Radio Nederland |
01/12/2004 |
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Em uma população que beira os 18 milhões de pessoas, Moçambique conta com aproximadamente 500 mil jovens, menores de 18 anos, que perderam as respectivas mães em resultado da propagação do vírus do AIDS, segundo o relatório da UNICEF naquele país. Até a dois anos, os esforços eram concentrados em campanhas de prevenção que não deram resultados encorajadores. As mensagens escritas, por exemplo, servem pouco num país que conta com 50% da população analfabeta. Atualmente a prevalência do vírus da AIDS é de 14% na faixa etária de 15 a 49 anos e só no ano passado morreram mais de 110 mil adultos. As regiões mais afetadas são aquelas dos chamados “corredores de desenvolvimento”. Algumas particularidades da cultura e tradição das comunidades chocam com os padrões de comportamento sugeridos no âmbito da prevenção e combate à doença. Está-se a tentar ações de coordenação de práticas entre as medicinas modernas e tradicionais, assumindo que esta última constitui recurso para um universo considerável de cidadãos, sobretudo nas zonas rurais. Várias organizações estão trabalhando no âmbito do Plano Estratégico Nacional. Médicos Sem Fronteiras, Help, e a Comunidade de Santo Egídio, por exemplo. Todas são ativas em programas de tratamento com antiretrovirais, sendo atualmente perto de 6.000 as pessoas que o recebem, à frente de uma previsão de 8.000 pessoas para o fim do ano em curso. Constrangimentos como falta de pessoal treinado, infraestruturas insuficientes, atrasos na provisão de fundos, e falta de coordenação entre os vários corpos envolvidos foram registrados pelas autoridades. São cerca de 200.000 as pessoas que precisam de tratamento antiretroviral, no país. A Comunidade de Santo Egídio, como implementadora e doadora do Programa DREAM desde 2002, trata mais de 2.500 pessoas com antiretrovirais genéricos, e construiu três laboratórios de biologia molecular, nos hospitais públicos de Maputo, Beira e Nampula. Em Moçambique, até agora, foram testadas perto de 50.000 gestantes, 9.000 das quais resultaram soropositivas. Quase 2.500 delas estão recebendo o tratamento antiretroviral. A estratégia aposta no controle mais massivo das consultas nas maternidades para combater a pandemia, sendo as mulheres as mais afetadas, mas também as mais receptivas ao tratamento.
Paola Rolletta
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