Comunità di S.Egidio


 

Noticias

18/08/2005


Moçambique destaca-se no uso de anti-retrovirais

 

CERCA de 95 por cento de moçambicanos seropositivos que se beneficiam de

anti-retrovirais têm cumprido com o tratamento, o que coloca o país como um

caso isolado na África Subsahariana e melhor que alguns países europeus e

americanos. Esta cifra corresponde aos doentes tratados via programa

"DREAM", sigla inglesa que em português significa "Reforço de Recursos e

Medicamentos Contra a Malnutrição e SIDA", levado a cabo em Moçambique,

desde 2001, pela Comunidade de Santo Egidio.

Um total de 9200 seropositivos recebem diverso tipo de assistência através

do "DREAM", 4200 dos quais são tratados com anti-retrovirais e ainda alguns

destes beneficiam, via mesmo programa, de suplementos alimentares, por serem

pobres

Um dos grandes problemas que muitos países enfrentam na componente

tratamento é que doentes de SIDA não têm conseguido tomar continuamente, e

segundo o conselho médico, os anti-retrovirais, por diversas razões, entre

elas a falta de recursos para suportar, por exemplo, as necessidades

alimentares dai resultantes, ou simplesmente porque o tratamento exige uma

mudança rigorosa do modo de vida do doente. Este problema levou a que muitos

países, incluindo desenvolvidos, não acreditassem no sucesso da

administração de genéricos, principalmente em África.

Para além de administrar gratuitamente os anti-retrovirais, o "DREAM" tem

também, em parceria com outras organizações como o PMA, prestado ajuda em

alimentos, entre outra assistencia domiciliária aos doentes.

Moçambique foi e continua a ser exemplo na conquista e manutenção da paz, e

agora já está-se revelando como um laboratório importante na componente luta

contra a SIDA.

Uma seropositiva activista do projecto "DREAM" afirmou que nunca havia

tomado antes um medicamento tão forte como os anti-retrovirais, que é um

tratamento que também exige recursos para suportar a componente alimentar, e

mudança do tipo de vida da pessoa infectada.

Um outro destaque é o facto de o programa "DREAM" ter ajudado para que 97

por cento de bebés nascessem sem HIV, depois de um determinado número de

mães terem se revelado, em diagnostico, seropositivas. Assim, segundo dados

do"DREAM", cerca de 1100 bebés nasceram livres do HIV.

O programa "DREAM" opera em 12 centros criados para o efeito no país,

gastando anualmente e por pessoa 700 dólares pela terapia com fármacos

genéricos, incluindo testes de laboratório e diverso tipo de assistência.

A luta contra a SIDA em Moçambique deve ser cada vez mais encarada

seriamente por toda a sociedade porque há seropositivos que graças ao

tratamento voltam a ter as suas capacidades normais, mas que o mesmo não

acontece em relação ao emprego que perderam quando estavam a ser assolados

pela doença.