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| MAIS (Mozambique) |
01/12/2005 |
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A minha é uma história de ressurreição. Chamo-me Issufo, tenho dois filhos. Em 2000 a minha mulher morreu. A família dela acusou-me de ser a causa da morte. Fui parar na prisão.
Foram necessários 14 meses para revolver o meu caso. Na cadeia comecei a estar doente. Só com ajuda de um padre consegui sair da prisão. A minha saúde estava péssima. Os meus familiares diziam que tinha xikwembo. Fui ao curandeiro. Deu-me ervas para tomar, mas não melhorava. Antes pelo contrário, sentia-me sempre pior. Até que em 2002 fui ao DREAM, na Machava. Foi minha mãe que me convenceu, a única pessoa que nunca me abandonou. Quando me foi diagnosticado que era seropositivo, até os colegas da igreja dela a abandonaram. Ela sofreu muito a discriminação por ter um filho seropositivo. Comecei o tratamento. Encontrei amigos, já não me sentia abandonado. Hoje sei que os antiretrovirais são o tratamento para o HIV/SIDA, mas sei também que a família, a amizade, o afecto são uma parte muito importante do tratamento. Quero ser testemunho vivo e ajudar os outros doentes. Este é o meu sonho. Esta é história de um dos 4.200 pacientes do programa DREAM (Drug Resource Enhancement against AIDS and Malnutrition) que recebem tratamento antiretroviral em Moçambique. O programa é levado a cabo pela Comunidade de Santo Egídio desde 2002 e conta já com 10 centros e 3 laboratórios de biologia molecular, no país, inseridos no circuito internacional de controlo de qualidade. Actualmente são cerca de 10.000 as pessoas monitoradas no programa. Este modelo revolucionário de controlo, prevenção e tratamento do HIV converteu-se nos últimos anos no modelo mais eficaz de intervento para garantir o acesso gratuito à terapia na África subsahariana - está implementado no Malawi, na Tanzânia, na Guiné Bissau, na Guiné Conacry, em Angola e está prevista a replicação em outros países africanos -, com custos organizativos e gestão compatível, com pessoal local treinado in loco e no estrangeiro. São sete os cursos de formação panafricanos organizados até agora, tornando Moçambique o país pioneiro do programa. Desde que começou, os resultados confirmam as grande esperanças. 97% dos bebés nasceram sãos de mães seropositivas tratadas com a tri-terapia. Ao mesmo tempo 90% das pessoas podem voltar a ter uma vida normal. A taxa de adesão é de 95%, um número que ultrapassa as percentagens da Europa e dos Estados Unidos de América para as pessoas que tomam antiretrovirais. A Organização Mundial da Saúde considera DREAM como um dos modelos de luta contra a SIDA em África e publicou recentemente um estudo de caso sobre o programa. Uma das prioridades do programa são as grávidas. Com elas joga-se o futuro do continente, sendo o pilar da família africana. O objectivo é evitar a transmissão vertical e tratar as mães para não aumentar o número exponencial de orfãos. Desta maneira se corta a epidemia de raiz, impede-se que o bebé nasça infectado e se pode salvar toda uma família. Ao mesmo tempo que se trata a mãe com a triterapia, oferece-lhe um apoio nutricional e educação sanitária. É um acompanhamento personalizado feito através dos activistas da Associação “Mulheres para o DREAM”, mulheres e homens seropositivos e não, que se dedicam à assistência domiciliária. Uma longa história liga a Comunidade de Sant’Egídio a Moçambique: desde as ajudas humanitárias no início dos anos 80, até à mediação oficial entre a FRELIMO e a RENAMO que levou ao Acordo Geral de Paz assinado em Roma a 4 de Outubro de 1992. A ligação especial com Moçambique levou a Comunidade de Sant’Egídio a escolher este país como o primeiro a implementar o programa DREAM, em colaboração com o Ministério da Saúde de Moçambique.
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