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| Agência Ecclesia |
03/09/2006 |
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Em 1986, João Paulo II conseguiu reunir, em Assis, líderes religiosos de todo o Mundo na Jornada Mundial de Oração pela Paz. Católicos, protestantes, ortodoxos, judeus, muçulmanos, budistas, sintoístas, religiões tradicionais africanas e hinduístas, entre outros, juntaram-se ao Papa, a Dalai Lama e ao arcebispo de Cantuária na procura de caminhos da paz, condenando o fanatismo em nome das religiões. A iniciativa ficou conhecida por "espírito de Assis". Quinze anos depois, coincidindo com o fatídico 11 de Setembro de 2001, que destruiu as Torres Gémeas de Nova Iorque, como sinal trágico do terrorismo, realizou-se, de novo em Assis, outro encontro inter-religioso pela paz, no qual foi proclamado profeticamente "Não se pode utilizar o nome de Deus para matar". Agora, 20 anos depois do primeiro encontro de Assis, a Comunidade de Santo Egídio, que chamou a si os encontros "Homens e religiões", junta líderes religiosos em Assis, amanhã e na terça-feira, para reflectir o tema "Para um Mundo em paz - Religiões e culturas em diálogo". O objectivo é a renovação do compromisso ecuménico pela paz e a reconciliação entre as diferentes civilizações, e, ainda, a análise dos desafios da globalização e da situação no Médio Oriente. Estarão presentes, entre outros, o grande rabino Cohen, de Haifa; Ibrahim Ezzedine, conselheiro na Presidência dos Emirados Árabes Unidos; o secretário da Federação Luterana Mundial, Ismael Noko, o presidente da Conferência das Igrejas Europeias, Jean-Arnold de Clermont; o patriarca Armeno Karekine II, Catholicos de Cilicia; os cardeais Paul Poupard, Stanislaw Dziwisz, e representantes de várias confissões cristãs do Oriente e Ocidente. "Num tempo marcado pelo terrorismo e guerras, e também por esforços de diálogos e reconciliação, as religiões assumiram um papel relevante no espaço público" e "cada vez mais estão expostas aos desafios de manipulações extremistas", dizem os organizadores do encontro. É hora de pôr as religiões ao serviço da paz e também da globalização com um rosto humano. --------- A Comunidade de Santo Egídio foi fundada pelo historiador Andrea Riccardi, em Roma, em 1968, à luz das orientações do Concílio Vaticano II (1962-1965). Hoje é um movimento (associação pública de leigos da Igreja Católica) a que pertencem mais de 50 mil pessoas e está comprometido na evangelização e na caridade em Roma, no resto da Itália e em mais de 70 países. Membros do movimento foram mediadores decisivos em conflitos civis e promoveram acordos de paz em vários países do Mundo, incluindo Moçambique, e, mais recentemente, o Uganda. João Paulo II e Bento XVI apreciam o trabalho daquela Comunidade.
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