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A oração cada dia


 
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Igreja de Santo Egídio
Roma

Homilia

O Evangelho segundo Marcos, que nos acompanhou nos domingos deste ano, faz-nos encontrar hoje o Senhor na Sua última etapa antes de entrar em Jerusalém. Vimos ao longo do caminho o clima novo, quase de festa, que Jesus criava entre as pessoas das cidades e das aldeias por onde passava. Eram tantos os que acorriam para Ele, sobretudo os fracos, os pobres, os leprosos, os doentes. Todos desejavam aproximar-se d’Ele, tocá-l’O, falar-Lhe: queriam d´Ele paz e felicidade. Jesus acolhia-os a todos, instaurando outro clima entre os homens, um clima de confiança. Também os mais afastados e os mais desprezados podiam aproximar-se d’Ele e invocar cura e salvação. Na verdade, Jesus, com o Seu comportamento, de facto exortava-os a dirigirem-se a Ele com fé. O pedido feito com fé era a única coisa que pretendia. O motivo era profundo: a oração feita com fé abre sempre o coração a um modo diferente de viver. Apercebemo-nos disso, porém, só quando se é pobre ou se se apercebe de ser tal.
Tinha-o percebido Bartimeu que mendigava à porta de Jericó. Como todos os cegos, também ele está revestido de fraqueza. Naquele tempo, aos cegos não restava outra coisa senão mendigar, juntando assim à cegueira, a dependência total dos outros. No Evangelho, são a imagem da pobreza e da fraqueza. Bartimeu, tal como Lázaro e como tantos outros pobres próximos ou afastados de nós, jaz às portas da vida, à espera de algum conforto. E mesmo assim, este cego torna-se num exemplo para cada um de nós, exemplo de crente que pede e que reza. À volta dele, tudo é escuro. Não vê quem passa, não reconhece quem está perto dele, não distingue nem os rostos nem as atitudes. Naquele dia, porém, aconteceu algo de diferente. Ouviu o ruído da multidão que se aproximava e, no escuro da sua vida e das suas percepções, intuiu uma presença. Tinha "ouvido dizer que era Jesus" anota o evangelista. Teve a sensação que aquele Jovem Profeta não era como tantos outros homens que tinham passado perto dele até àquele momento. Quantos ouvira passar por perto em tantos anos de mendigagem! A quantos tinha esticado a mão, a quantos tinha pedido ajuda, quantos ouvira passar por perto e depois afastarem-se! É a experiência de não ver, mas é também a experiência da esmola, do encontro de um momento e, depois, de toda a distância que é colocada entre quem é rico e quem mendiga, entre quem vê e quem é cego.
Bartimeu é um homem obrigado a pedir porque não tem nenhum outro recurso. É um mendigo e não pode fazer outra coisa senão pedir. À notícia daquela passagem começa a gritar: "Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!". É uma invocação, na verdade, muito pobre. Não é um falar de orador, como o de um homem rico que cumpre os mandamentos desde a sua juventude e que se dirige a Jesus chamando-Lhe "bom". Aqui a invocação é simples e ao mesmo tempo dramática. Aquele cego não tem mais nada senão o grito. É o único modo que tem para superar a escuridão e a distância que não conseguia medir. Aquele grito, porém, não agradou à multidão, porque muitos "repreendiam-no", realça o evangelista, tentavam fazê-lo calar. Era um grito inconveniente, um grito desordenado e, no entanto, exagerado, como muitas vezes acontece aos pobres. Corria também o risco de incomodar aquele feliz encontro entre Jesus e a multidão da cidade. Com toda a sua presumida razoabilidade aquela lógica era cruel. Não só o repreendiam, como queriam que também se calasse. Aquele cego, não tinha nada a ver com a vida daquela cidade. Era-lhe permitido mendigar, desde que não subvertesse os ritmos ordinários e habituais da cidade. Para aquela multidão composta por homens que acreditavam serem sãos e de não deverem nada a ninguém, era fácil incutir medo e terror a um pobre mendigo que dependia em tudo deles.
A presença de Jesus fez superar àquele homem qualquer temor. Bartimeu sentiu que a sua vida podia mudar totalmente com aquele encontro e com voz ainda mais forte gritou ainda: "Filho de David, tem piedade de mim!". É a oração dos pequenos, dos pobres que dia e noite, sem descanso porque contínua é a sua necessidade, se dirigem ao Senhor. É a invocação dos fracos que receberam a notícia da Sua passagem e depositam n’Ele a sua esperança. Jesus não é surdo ao grito dos fracos. Ao ouvir aquele grito de ajuda, parou. É como o bom samaritano que não passa além como fizeram o sacerdote e o levita e como a multidão quereria que Jesus fizesse. Pelo contrário, Jesus parou e respondeu ao grito de Bartimeu. A resposta inicia com uma chamada: "Jesus parou e disse: Chamai o cego! Chamaram o cego e disseram: Coragem! Levanta-te, porque Jesus chama-te!". É sempre o Senhor quem chama, mas serve-Se de outros homens, da palavra deles. Eles aproximam-se de nós e encorajam-nos a encontrarmos Jesus, ou melhor, levam-nos até Ele. O encontro, depois, com o Senhor é sempre pessoal, requer um colóquio directo, familiar, como aquele de um filho que se dirige confiante ao pai.
Bartimeu, logo que ouviu que Jesus queria vê-lo, deitou fora o manto e correu em direcção d’Ele. Deitou fora o manto que o cobria há tantos anos. Era talvez o único agasalho contra o frio gélido dos invernos e, sobretudo, dos corações endurecidos da multidão. Já não precisava de encobrir a sua pobreza, já não precisava daquele resguardo, porque tinha ouvido que o Senhor o chamava. Levantou-se rapidamente e foi a correr ter com Jesus. Corria apesar de não ver. Na verdade, "via" muito mais profundamente do que toda aquela multidão. Ouviu a voz de Jesus e foi em direcção daquela voz. Era só uma voz, mas era a única que finalmente o chamava para o acolher. Era diferente do murmúrio e das palavras grosseiras da multidão que queria fazê-lo calar. Aquela voz, aquela palavra era para ele um novo ponto de referência, de tal maneira sólido que lhe permitiu correr, enquanto ainda era cego, sem nenhuma ajuda. Bartimeu seguiu aquela voz e encontrou o Senhor. Assim acontece para qualquer pessoa que escuta a Palavra de Deus e A põe em prática. A escuta da Palavra de Deus não conduz ao vazio, não leva a um imaginário psicológico. A escuta conduz ao encontro pessoal com o Senhor. O mesmo acontece com Bartimeu. É Jesus que inicia a falar, quase que a prolongar a chamada que lhe tinha feito. É deveras diferente de todos aqueles que até então tinha encontrado.
Jesus não lhe põe nas mãos nenhum vintém, embora necessário, para depois Se ir embora. Não, pára e fala com ele, mostra interesse por ele e pela sua condição e pergunta-lhe: "Que queres que te faça?". Bartimeu, sem perder tempo e palavras inúteis, assim como dantes tinha pregado com simplicidade, diz-lhe: "Mestre, eu quero ver de novo!". Bartimeu reconheceu a luz mesmo sem a ver. Por isso, voltou a readquirir logo a vista. "Podes ir, foi a tua fé que te curou!" disse-lhe Jesus.


28/10/2012
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