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A oração cada dia


 
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Ícone do Rosto do Senhor
Igreja de Santo Egídio
Roma

Festa do Sagrado Coração de Jesus.


Leitura da Palavra de Deus

Aleluia aleluia, aleluia

Eis o Evangelho dos pobres,
a libertação dos prisioneiros,
a vista dos cegos,
a libertação dos oprimidos

Aleluia aleluia, aleluia

São Lucas 15,3-7

Jesus propôs-lhes, então, esta parábola: «Qual é o homem dentre vós que, possuindo cem ovelhas e tendo perdido uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai à procura da que se tinha perdido, até a encontrar? Ao encontrá-la, põe-na alegremente aos ombros e, ao chegar a casa, convoca os amigos e vizinhos e diz-lhes: ‘Alegrai-vos comigo, porque encontrei a minha ovelha perdida.’ Digo-vos Eu: Haverá mais alegria no Céu por um só pecador que se converte, do que por noventa e nove justos que não necessitam de conversão.»

 

Aleluia aleluia, aleluia

O Filho do Homem veio para servir
quem quiser ser grande, faça-se servo de todos

Aleluia aleluia, aleluia

Hoje a Igreja celebra a festa do Sagrado Coração de Jesus. Apesar de ser uma memória litúrgica bastante recente, afunda as suas raízes no próprio coração do cristianismo. O prefácio da Liturgia, quase que a querer mostrar-nos o profundo sentido, exorta-nos a contemplar o mistério do amor de Jesus: “Elevado na cruz, no seu amor ilimitado, deu a vida por nós e da ferida do Seu costado jorrou sangue e água, símbolos dos sacramentos da Igreja, para que todos os homens, atraídos pelo coração do Salvador, bebessem com alegria na fonte perene da salvação”. A Liturgia canta o coração de Jesus como fonte da salvação. É verdade, daquele coração de carne que não se poupou em nada, que se entregou completamente até à última gota de sangue para nos libertar da escravidão do maligno, daquele coração continua ininterruptamente, ao longo dos séculos, a brotar o amor. Esta memória litúrgica é uma exortação para que prestemos atenção ao mistério daquele coração: um coração de carne e não de pedra como muitas vezes são os nossos. Da compaixão e da comoção daquele coração iniciou a vida pública de Jesus.
Mateus escreve (9, 36) que Jesus indo pelas cidades e pelas aldeias da Galileia, comoveu-Se diante daquelas multidões que acorriam para Ele porque estavam cansadas e esgotadas como ovelhas sem pastor. E começou a reuni-las e a curá-las. Com Jesus, tinha, finalmente, chegado o Bom Pastor de que falava o profeta Ezequiel; “Eu mesmo vou procurar as minhas ovelhas. Como o pastor conta o seu rebanho, quando está no meio das suas ovelhas que se haviam dispersado, Eu também contarei as minhas ovelhas e reuni-las-ei de todos os lugares… fá-las-ei voltar à sua terra e cuidarei delas como pastor, nos montes de Israel, nos vales e em todos os lugares habitados do país” (34, 11-13).
No trecho que nos foi anunciado, o evangelista Lucas, como que a continuar as palavras do profeta, mostra-nos até onde pode chegar o amor deste Bom Pastor, que ama a tal ponto as Suas ovelhas que está disposto a dar a própria vida por elas. Ama-as uma a uma, não em massa. De facto, conhece de cada uma, a voz, o nome, a história, as necessidades. E em cada uma repôs todo o Seu afecto e toda a Sua esperança. Numa sociedade massificada como é a nossa, onde é fácil ser esquecido e desaparecer no anonimato é, na verdade, uma boa notícia saber que o Senhor conhece cada um de nós pelo próprio nome e que nunca nos esquecerá. Quanto muito somos nós quem se afasta d’Ele ou quem foge para longe do Seu afecto correndo o risco de se perder nos labirintos tristes deste mundo. Pois bem, este Bom Pastor deixa as noventa e nove ovelhas no redil para nos procurar. “Procurarei aquela que se perder, reconduzirei aquela que se desgarrar - escrevia o profeta Ezequiel prefigurando o Bom Pastor - curarei a que se ferir, fortalecerei a que estiver fraca” (34, 16). Jesus não abandona nenhuma das Suas ovelhas ao próprio destino. Recolhe-as e acode-as sempre. E talvez não uma, mas muitas vezes teve que deixar as outras noventa e nove ovelhas para correr atrás de nós, para nos recolher, para nos levar às costas para o redil. Quantas vezes – poderemos cantar com o antigo hino do Dies irae – “quaerens me, sedisti lassu?” (“Quantas vezes, Senhor, Vos sentastes cansado, pela fadiga de correr atrás de mim?”).
O coração de Jesus, o Seu amor por nós não conhece nenhum limite, chegando até mesmo a ser absolutamente incompreensível à lógica humana. O apóstolo Paulo expressa bem a imensidade deste amor: “Dificilmente se encontra alguém disposto a morrer em favor de um justo; talvez haja alguém que tenha coragem de morrer por um homem de bem. Mas Deus demonstra o Seu amor para connosco porque Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores” (Rm 5, 7-8). Eis o coração que a liturgia deste dia nos mostra. É o coração de Jesus que não cessa de bater por nós e por toda a humanidade. E podemos afirmar que Ele não só nos leva às costas, como chega até a derramar no nosso coração o Seu amor ou, se quisermos, doa-nos o Seu próprio coração, como escreve o apóstolo Paulo: “O amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5).


27/06/2014
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