Oração pela Igreja

Compartilhe Em

Memória do beato Giuseppe Puglisi, padre da Igreja de Palermo, morto pela máfia em 1993.


Leitura da Palavra de Deus

Aleluia aleluia, aleluia

Eu sou o Bom Pastor,
minha voz as ovelhas escutam,
E serão um só rebanho e um só Pastor.

Aleluia aleluia, aleluia

São Lucas 12, 49-53

«Eu vim lançar fogo sobre a terra; e como gostaria que ele já se tivesse ateado! Tenho de receber um baptismo, e que angústias as minhas até que ele se realize! Julgais que Eu vim estabelecer a paz na Terra? Não, Eu vo-lo digo, mas antes a divisão. Porque, daqui por diante, estarão cinco divididos numa só casa: três contra dois e dois contra três; vão dividir-se: o pai contra o filho e o filho contra o pai, a mãe contra a filha e a filha contra a mãe, a sogra contra a nora e a nora contra a sogra.»

 

Aleluia aleluia, aleluia

Eu vos dou um mandamento novo:
amai-vos uns aos outros!

Aleluia aleluia, aleluia

Enquanto Jesus exorta os discípulos à vigilância, diz-Lhes que chegou o momento da decisão. Com efeito, com Ele chegaram os últimos dias e já não é possível diferir a escolha pelo Evangelho. E, para fazer compreender aos discípulos a Sua preocupação, usa a imagem do fogo que Ele mesmo veio trazer para a Terra: "Vim para lançar fogo sobre a Terra, e como gostaria que já estivesse aceso!". O Apocalipse retomará esta imagem a propósito do anjo que no fim dos tempos lança o fogo sobre a Terra (8, 5). Jesus quer que os discípulos abandonem qualquer atitude de preguiça, de protelação, de indiferença, de fecho, para acolher a Sua preocupação, a Sua inquietude: Ele continuará inquieto até que as chamas do amor se espalhem nos corações dos homens. O discípulo, portanto, não é chamado a viver uma vida avarenta e tranquila, mirada ao bem-estar pessoal ou da comunidade. Jesus exorta o discípulo a "imergir-se" no Evangelho, a ser como que baptizado (precisamente, "imerso") n'Ele, a tornar-se ele mesmo "evangelho", isto é, uma boa notícia para a cidade, para o mundo. É o sentido das palavras do apóstolo Paulo quando dizia: "já não sou eu que vivo, pois é Cristo que vive em mim" (Gl 2, 20). Seguir Jesus requer um afastamento da vida velha, daquela baseada nos laços mundanos, incluídos os de parentela. Só o Evangelho é que é o fogo que salva, que transforma o mundo, a começar pelo coração de todos. Paulo dirá: Cristo é a nossa paz (Ef 2, 14) e o próprio Senhor disse: "Felizes os que promovem a paz". Não há contradição neste contexto espiritual entre a paz e a espada. A paz que Jesus traz, não é como aquela que o mundo dá (Jo 14, 27), não é uma mesquinha tranquilidade ou a segurança das próprias tradições. Para que se possa desfrutar da paz que vem do Evangelho, é necessária uma purificação através do fogo, uma separação entre o mal e o bem, um discernimento entre a luz que Jesus vem trazer ao mundo e as trevas do mal.