Domingo de Ramos

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Domingo de Ramos
Memória do beato Omeljan Kovc, padre greco-católico ucraniano, morto no campo de concentração de Majdanek em 1944 por ter defendido os hebreus da perseguição.


Primeira Leitura

Isaías 50,4-7

«O Senhor Deus ensinou-me o que devo dizer,
para saber dar palavras de alento aos desanimados.
Cada manhã desperta os meus ouvidos,
para que eu aprenda como os discípulos.

O Senhor Deus abriu-me os ouvidos,
e eu não resisti, nem recusei.

Aos que me batiam apresentei as espáduas,
e a face aos que me arrancavam a barba;
não desviei o meu rosto dos que me ultrajavam e cuspiam.

Mas o Senhor Deus veio em meu auxílio;
por isso não sentia os ultrajes.
Endureci o meu rosto como uma pedra,
pois sabia que não ficaria envergonhado.

Salmo responsorial

Salmo 21 (22)

Ao Director do coro. Pela melodia «A corça da aurora».
Salmo de David.

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste,
rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro?

 Meu Deus, clamo por ti durante o dia e não me respondes;
durante a noite, e não tenho sossego.

Tu, porém, és o Santo
e habitas na glória de Israel.

 Em ti confiaram os nossos pais;
confiaram e Tu os libertaste.

 A ti clamaram e foram salvos;
confiaram em ti e não foram confundidos.

Eu, porém, sou um verme e não um homem,
o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe.

Todos os que me vêem escarnecem de mim;
estendem os lábios e abanam a cabeça.

 «Confiou no Senhor, Ele que o livre;
Ele que o salve, já que é seu amigo.»

Na verdade, Tu me tiraste do seio materno;
puseste-me em segurança ao peito de minha mãe.

 Pertenço-te desde o ventre materno;
desde o seio de minha mãe, Tu és o meu Deus.

 Não te afastes de mim, porque estou atribulado
e não há quem me ajude.

Rodeiam-me touros em manada;
cercam-me touros ferozes de Basan.

 Abrem contra mim as suas fauces,
como leão que despedaça e ruge.

Fui derramado como água;
e todos os meus ossos se desconjuntaram;
o meu coração tornou-se como cera
e derreteu-se dentro do meu peito.

 A minha garganta secou-se como barro cozido
e a minha língua pegou-se-me ao céu da boca;
reduziste-me ao pó da sepultura.

 Estou rodeado por matilhas de cães,
envolvido por um bando de malfeitores;
trespassaram as minhas mãos e os meus pés:

 posso contar todos os meus ossos.
Eles olham para mim cheios de espanto!

Repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam a minha túnica.

 Mas Tu, Senhor, não te afastes de mim!
És o meu auxílio: vem socorrer-me depressa!

 Livra a minha alma da espada,
e, das garras dos cães, a minha vida.

 Salva-me da boca dos leões;
livra-me dos chifres dos búfalos.

 Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos
e te louvarei no meio da assembleia.

 Vós, que temeis o Senhor, louvai-o!
Glorificai-o, descendentes de Jacob!
Reverenciai-o, descendentes de Israel!

 Pois Ele não desprezou nem desdenhou a aflição do pobre,
nem desviou dele a sua face;
mas ouviu-o, quando lhe pediu socorro.

 De ti vem o meu louvor na grande assembleia;
cumprirei os meus votos na presença dos teus fiéis.

Os pobres comerão e serão saciados;
louvarão o Senhor, os que o procuram.
«Vivam para sempre os vossos corações.»

 Hão-de lembrar-se do Senhor e voltar-se para Ele
todos os confins da terra;
hão-de prostrar-se diante dele
todos os povos e nações,

 porque ao Senhor pertence a realeza.
Ele domina sobre todas as nações.

 Diante dele hão-de prostrar-se todos os grandes da terra;
diante dele hão-de inclinar-se todos os que descem ao pó
e assim deixam de viver.

Uma nova geração o servirá
e narrará aos vindouros as maravilhas do Senhor;

 ao povo que vai nascer dará a conhecer a sua justiça,
contará o que Ele fez.

Segunda Leitura

Filipenses 2,6-11

Ele, que é de condição divina,
não considerou como uma usurpação ser igual a Deus;

no entanto, esvaziou-se a si mesmo,
tomando a condição de servo.
Tornando-se semelhante aos homens
e sendo, ao manifestar-se, identificado como homem,

rebaixou-se a si mesmo,
tornando-se obediente até à morte
e morte de cruz.

Por isso mesmo é que Deus o elevou acima de tudo
e lhe concedeu o nome
que está acima de todo o nome,

para que, ao nome de Jesus,
se dobrem todos os joelhos,
os dos seres que estão no céu,
na terra e debaixo da terra;

  e toda a língua proclame:
"Jesus Cristo é o Senhor!",
para glória de Deus Pai.

Leitura do Evangelho

Louvor a Vós, Ó Senhor, Rei de eterna glória

Ontem fui sepultado com Cristo,
hoje ressuscito convosco que ressuscitastes;
convosco fui crucificado,
recordai-vos de mim, Senhor, no vosso Reino.

Louvor a Vós, Ó Senhor, Rei de eterna glória

São Marcos 14,1-15,47

Faltavam só dois dias para a Páscoa e os Ázimos; os sumos sacerdotes e os doutores da Lei procuravam maneira de capturar Jesus à traição e de o matar. É que diziam: «Durante a festa não, para que o povo não se revolte.» Jesus encontrava-se em Betânia, na casa de Simão, o leproso. Estando à mesa, chegou uma certa mulher que trazia um frasco de alabastro, com perfume de nardo puro de alto preço; partindo o frasco, derramou o perfume sobre a cabeça de Jesus. Alguns, indignados, disseram entre si: «Para quê este desperdício de perfume? Podia vender-se por mais de trezentos denários e dar-se o dinheiro aos pobres.» E censuravam-na. Mas Jesus disse:
«Deixai-a. Porque estais a atormentá-la? Praticou em mim uma boa acção!

Sempre tereis pobres entre vós e podereis fazer-lhes bem quando quiserdes; mas a mim, nem sempre me tereis. Ela fez o que estava ao seu alcance: ungiu antecipadamente o meu corpo para a sepultura. Em verdade vos digo: em qualquer parte do mundo onde for proclamado o Evangelho, há-de contar-se também, em sua memória, o que ela fez.» Então, Judas Iscariotes, um dos Doze, foi ter com os sumos sacerdotes para lhes entregar Jesus. Eles ouviram-no com satisfação e prometeram dar-lhe dinheiro. E Judas espreitava ocasião favorável para o entregar. No primeiro dia dos Ázimos, quando se imolava a Páscoa, os discípulos perguntaram-lhe: «Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?» Jesus enviou, então, dois dos seus discípulos e disse: «Ide à cidade e virá ao vosso encontro um homem trazendo um cântaro de água. Segui-o e, onde ele entrar, dizei ao dono da casa: O Mestre manda dizer: ‘Onde está a sala em que hei-de comer a Páscoa com os meus discípulos?’ Há-de mostrar-vos uma grande sala no andar de cima, mobilada e toda pronta. Fazei aí os preparativos.» Os discípulos partiram e foram à cidade; encontraram tudo como Ele lhes dissera e prepararam a Páscoa. Chegada a tarde, Jesus foi com os Doze. Estavam à mesa a comer, quando disse: «Em verdade vos digo: um de vós há-de entregar-me, um que come comigo.» Começaram a entristecer-se e a dizer-lhe um após outro: «Porventura sou eu?» Jesus respondeu-lhes: «É um dos Doze, aquele que mete comigo a mão no prato. Na verdade, o Filho do Homem segue o seu caminho, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele por quem o Filho do Homem vai ser entregue! Melhor fora a esse homem não ter nascido!» Enquanto comiam, tomou um pão e, depois de pronunciar a bênção, partiu-o e entregou-o aos discípulos dizendo: «Tomai: isto é o meu corpo.» Depois, tomou o cálice, deu graças e entregou-lho. Todos beberam dele. E Ele disse-lhes: «Isto é o meu sangue da aliança, que vai ser derramado por todos. Em verdade vos digo: não voltarei a beber do fruto da videira até ao dia em que o beba, novo, no Reino de Deus.» Após o canto dos salmos, saíram para o Monte das Oliveiras. Jesus disse-lhes: «Todos ides aban-donar-me, pois está escrito: Ferirei o pastor e as ovelhas hão-de dispersar-se. Mas, depois de Eu ressuscitar, hei-de preceder-vos a caminho da Galileia.» Pedro disse: «Mesmo que todos venham a abandonar-te, eu não.» E Jesus disse: «Em verdade te digo, que hoje, esta noite, antes de o galo cantar duas vezes, tu me terás negado três vezes.» Mas ele insistia com mais ardor: «Mesmo que tenha de morrer contigo, não te negarei.» E todos afirmaram o mesmo. Chegaram a uma propriedade chamada Getsémani, e Jesus disse aos discípulos: «Ficai aqui enquanto Eu vou orar.» Tomando consigo Pedro, Tiago e João, começou a sentir pavor e a angustiar-se. E disse-lhes: «A minha alma está numa tristeza mortal; ficai aqui e vigiai.» Adiantando-se um pouco, caiu por terra e orou para que, se possível, passasse dele aquela hora. E dizia: «Abbá, Pai, tudo te é possível; afasta de mim este cálice! Mas não se faça o que Eu quero, e sim o que Tu queres.» Depois, foi ter com os discípulos, encontrou-os a dormir e disse a Pedro: «Simão, dormes? Nem uma hora pudeste vigiar! Vigiai e orai, para não cederdes à tentação; o espírito está cheio de ardor, mas a carne é débil.» Retirou-se de novo e orou, dizendo as mesmas palavras. E, voltando de novo, encontrou-os a dormir, pois os seus olhos estavam pesados; e não sabiam que responder-lhe. Voltou pela terceira vez e disse-lhes: «Dormi agora e descansai! Pois bem, chegou a hora. Eis que o Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos pecadores. Levantai-vos! Vamos! Eis que chega o que me vai entregar.» E logo, ainda Ele estava a falar, chegou Judas, um dos Doze, e, com ele, muito povo com espadas e varapaus, da parte dos sumos sacerdotes, dos doutores da Lei e dos anciãos. Ora, o que o ia entregar tinha-lhes dado este sinal: «Aquele que eu beijar é esse mesmo; prendei-o e levai-o bem guardado.» Mal chegou, aproximou-se de Jesus, dizendo: «Mestre!»; e beijou-o. Os outros deitaram-lhe as mãos e prenderam-no. Então, um dos que estavam presentes, puxando da espada, feriu o criado do Sumo Sacerdote e cortou-lhe uma orelha. E tomando a palavra, Jesus disse-lhes: «Como se eu fosse um salteador, viestes com espadas e varapaus para me prender! Estava todos os dias junto de vós, no templo, a ensinar, e não me prendestes; mas é para se cumprirem as Escrituras.» Então, os discípulos, deixando-o, fugiram todos. Um certo jovem, que o seguia envolto apenas num lençol, foi preso; mas ele, deixando o lençol, fugiu nu. Conduziram Jesus a casa do Sumo Sacerdote, onde se juntaram todos os sumos sacerdotes, os anciãos e os doutores da Lei. E Pedro tinha-o seguido de longe até dentro do palácio do Sumo Sacerdote, onde se sentou com os guardas a aquecer-se ao lume. Ora os sumos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus a fim de lhe dar a morte, mas não o encontravam; de facto, muitos testemunharam falsamente contra Ele, mas os testemunhos não eram coincidentes. E alguns ergueram-se e proferiram contra Ele este falso testemunho: «Ouvimo-lo dizer: ‘Demolirei este templo construído pela mão dos homens e, em três dias, edificarei outro que não será feito pela mão dos homens.’» Mas nem assim o depoimento deles concordava. Então, o Sumo Sacerdote ergueu-se no meio da assembleia e interrogou Jesus: «Não respondes nada ao que estes testemunham contra ti?» Mas Ele continuava em silêncio e nada respondia. O Sumo Sacerdote voltou a interrogá-lo: «És Tu o Messias, o Filho do Deus Bendito?» Jesus respondeu: «Eu sou. E vereis o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vir sobre as nuvens do céu.» O Sumo Sacerdote rasgou, então, as suas vestes e disse: «Que necessidade temos ainda de testemunhas? Ouvistes a blasfémia! Que vos parece?» E todos sentenciavam que Ele era réu de morte. Depois, alguns começaram a cuspir-lhe, a cobrir-lhe o rosto com um véu e, batendo-lhe, a dizer: «Profetiza!» E os guardas davam-lhe bofetadas. Estando Pedro em baixo, no pátio, chegou uma das criadas do Sumo Sacerdote e, vendo Pedro a aquecer-se, fixou nele o olhar e disse-lhe: «Tu também estavas com Jesus, o Nazareno.» Mas ele negou, dizendo: «Não sei nem entendo o que dizes.» Depois, saiu para o átrio e um galo cantou. A criada, vendo-o de novo, começou a dizer aos que ali estavam: «Este é um deles.» Mas ele negou outra vez.
Pouco depois, os presentes disseram de novo a Pedro: «Com certeza que és um deles, pois também és galileu.»

Ele começou, então, a dizer imprecações e a jurar: «Não conheço esse homem de quem falais!» E logo cantou o galo pela segunda vez.
Pedro recordou-se, então, das palavras de Jesus: «Antes de o galo cantar duas vezes, tu me terás negado três vezes.» E desatou a chorar.

Logo de manhã, os sumos sacerdotes reuniram-se em conselho com os anciãos e os doutores da Lei e todo o Sinédrio; e, tendo manietado Jesus, levaram-no e entregaram-no a Pilatos. Perguntou-lhe Pilatos: «És Tu o rei dos Judeus?» Jesus respondeu-lhe: «Tu o dizes.» Os sumos sacerdotes acusavam-no de muitas coisas. Pilatos interrogou-o de novo, dizendo: «Não respondes nada? Vê de quantas coisas és acusado!» Mas Jesus nada mais respondeu, de modo que Pilatos estava estupefacto. Ora, em cada festa, Pilatos costumava soltar-lhes um preso que eles pedissem. Havia um, chamado Barrabás, preso com os insurrectos que tinham cometido um assassínio durante a revolta. A multidão chegou e começou a pedir-lhe o que ele costumava conceder. Pilatos, respondendo, disse: «Quereis que vos solte o rei dos judeus?» Porque sabia que era por inveja que os sumos sacerdotes o tinham entregado. Os sumos sacerdotes, porém, instigaram a multidão a pedir que lhes soltasse, de preferência, Barrabás. Tomando novamente a palavra, Pilatos disse-lhes: «Então que quereis que faça daquele a quem chamais rei dos judeus?» Eles gritaram novamente: «Crucifica-o!» Pilatos insistiu: «Que fez Ele de mal?» Mas eles gritaram ainda mais: «Crucifica-o!» Pilatos, desejando agradar à multidão, soltou-lhes Barrabás; e, depois de mandar flagelar Jesus, entregou-o para ser crucificado. Os soldados levaram-no para dentro do pátio, isto é, para o pretório, e convocaram toda a coorte. Revestiram-no de um manto de púrpura e puseram-lhe uma coroa de espinhos, que tinham entretecido. Depois, começaram a saudá-lo: «Salve! Ó rei dos judeus!» Batiam-lhe na cabeça com uma cana, cuspiam sobre Ele e, dobrando os joelhos, prostravam-se diante dele. Depois de o terem escarnecido, tiraram-lhe o manto de púrpura e revestiram-no das suas vestes.
Levaram-no, então, para o crucificar. Para lhe levar a cruz, requisitaram um homem que passava por ali ao regressar dos campos, um tal Simão de Cirene, pai de Alexandre e de Rufo. E conduziram-no ao lugar do Gólgota, que quer dizer ‘lugar do Crânio’. Queriam dar-lhe vinho misturado com mirra, mas Ele não quis beber. Depois, crucificaram-no e repartiram entre si as suas vestes, tirando-as à sorte, para ver o que cabia a cada um. Eram umas nove horas da manhã, quando o crucificaram. Na inscrição com a condenação, lia-se: «O rei dos judeus.» Com Ele crucificaram dois ladrões, um à sua direita e o outro à sua esquerda. Deste modo, cumpriu-se a passagem da Escritura que diz: Foi contado entre os malfeitores. Os que passavam injuriavam-no e, abanando a cabeça, diziam: «Olha o que destrói o templo e o reconstrói em três dias! Salva-te a ti mesmo, descendo da cruz!» Da mesma forma, os sumos sacerdotes e os doutores da Lei troçavam dele entre si: «Salvou os outros mas não pode salvar-se a si mesmo! O Messias, o Rei de Israel! Desça agora da cruz para nós vermos e acreditarmos!» Até os que estavam crucificados com Ele o injuriavam. Ao chegar o meio-dia, fez-se trevas por toda a terra, até às três da tarde. E às três da tarde, Jesus exclamou em alta voz: «Eloí, Eloí, lemá sabachtáni?», que quer dizer: Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste? Ao ouvi-lo, alguns que estavam ali disseram: «Está a chamar por Elias!» Um deles correu a embeber uma esponja em vinagre, pô-la numa cana e deu-lhe de beber, dizendo: «Esperemos, a ver se Elias vem tirá-lo dali.» Mas Jesus, com um grito forte, expirou. E o véu do templo rasgou-se em dois, de alto a baixo. O centurião que estava em frente dele, ao vê-lo expirar daquela maneira, disse: «Verdadeiramente este homem era Filho de Deus!» Também ali estavam algumas mulheres a contemplar de longe; entre elas, Maria de Magdala, Maria, mãe de Tiago Menor e de José, e Salomé, que o seguiam e serviam quando Ele estava na Galileia; e muitas outras que tinham subido com Ele a Jerusalém. Ao cair da tarde, visto ser a Preparação, isto é, véspera do sábado, José de Arimateia, respeitável membro do Conselho que também esperava o Reino de Deus, foi corajosamente procurar Pilatos e pediu-lhe o corpo de Jesus. Pilatos espantou-se por Ele já estar morto e, mandando chamar o centurião, perguntou-lhe se já tinha morrido há muito. Informado pelo centurião, Pilatos ordenou que o corpo fosse entregue a José. Este, depois de comprar um lençol, desceu o corpo da cruz e envolveu-o nele. Em seguida, depositou-o num sepulcro cavado na rocha e rolou uma pedra sobre a entrada do sepulcro. Maria de Magdala e Maria, mãe de José, observavam onde o depositaram.


 

Louvor a Vós, Ó Senhor, Rei de eterna glória

Ontem fui sepultado com Cristo,
hoje ressuscito convosco que ressuscitastes;
convosco fui crucificado,
recordai-vos de mim, Senhor, no vosso Reino.

Louvor a Vós, Ó Senhor, Rei de eterna glória

Homilia

Hoje começa a Semana Santa ou da Paixão. É Santa porque se focaliza no Senhor. E é de Paixão porque contemplamos Jesus cheio de paixão e rico de misericórdia. O apóstolo Paulo escreve aos Filipenses: "Humilhou-Se a Si mesmo, tornando-Se obediente até à morte, e morte de cruz". Como é possível permanecermos neutrais perante o que iremos ver e escutar? A Paixão de Jesus, como a fraqueza e a dor dos homens, não é um espectáculo para assistir com destaque. A de Jesus é paixão de amor. Jesus não nos transforma com uma lei, mas com um amor grande. Na verdade, Ele é o Homem que deve ser defendido, protegido, amado. Não é suficiente não fazer o mal, ter as mãos limpas, não decidir: é preciso amar aquele Homem. Quem não escolhe o amor, acaba por ser cúmplice do mal.
Jesus entra em Jerusalém como um rei. As pessoas parecem intuí-lo e começam a estender os mantos ao longo da estrada, como se usava no Oriente. Até os ramos de oliveira, apanhados no campo e espalhados ao longo do percurso de Jesus, fazem de tapete. O grito Hossana (em hebraico quer dizer "Salva-nos!") manifesta a necessidade de salvação que as pessoas sentiam. Jesus entra em Jerusalém como Aquele que pode tirar da escravidão e introduzir numa vida mais humana e solidária. No entanto, o Seu rosto não é o de um poderoso ou de um forte, mas o de um manso e humilde.
Passam apenas seis dias da entrada triunfal e o Seu rosto torna-se no de um crucificado. É o paradoxo do Domingo de Ramos que nos faz viver juntos o Triunfo e a Paixão de Jesus. A entrada de Jesus na cidade santa é, decerto, a entrada de um rei, mas a única coroa que Lhe será deposta na cabeça será a de espinhos. Aqueles ramos de oliveira que hoje são o sinal da festa, no jardim onde normalmente Se retirava para rezar, vê-l'O-ão suar sangue devido à angústia da morte.
Jesus não foge. Toma a Sua Cruz e com ela chega ao Gólgota onde é crucificado. Aquela morte que aos olhos dos outros pareceu ser uma derrota foi, na verdade, uma vitória: era a lógica conclusão de uma vida vivida para o Senhor. Na verdade, só Deus poderia viver e morrer daquela maneira, isto é, esquecendo-Se de Si mesmo para Se entregar totalmente aos outros. E é um militar pagão que se apercebe disso. O evangelista Marcos escreve: "O oficial do exército, que estava em frente da cruz, viu como Jesus havia expirado e disse: De facto, este homem era mesmo o Filho de Deus!" (Mc 15, 39).
Quem compreende Jesus? As crianças. São elas que O acolhem quando entra em Jerusalém. "Se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças nunca entrareis no Reino do Céu", disse Jesus. É o que aconteceu a Pedro. Quando se põe a chorar como uma criança, começa a entender-se a si mesmo. E nós somos como ele. Pedro confia no seu orgulho. "Eu não ficarei desorientado", responde a Jesus. Acha que é bom. Mas, quando Jesus lhe pede para vigilar apenas uma hora, adormece: é como se estivesse embrutecido, insatisfeito, triste. De facto, dorme e deixa Jesus sozinho. Depois, provavelmente, foi ele quem tomou a espada. Pedro procura só salvar-se a si mesmo. Trai o amor mas precisa dele. Envergonha-se de Jesus, um fraco, um derrotado. São as nossas traições. Mas, no fim, olhando para as consequências do mal, Pedro põe-se a chorar. Toma consciência de si mesmo. Recorda, percebe, abandona o seu orgulho, arrepende-se. Nesta semana, tornemo-nos homens verdadeiros, como Pedro. Choremos como crianças, pedindo perdão pelos nossos pecados. Comovamo-nos perante o drama dos muitos pobres cristos que com a própria cruz nos recordam o sofrimento e a Via-Crúcis de Jesus. Deixemos de fugir, de os seguir ao longe, ajudemo-los e amemo-los. Tomemos o Evangelho e façamos companhia a Jesus. O ramo de oliveira que temos nas mãos é sinal de paz: recorda-nos que o Senhor deseja a paz, dá a paz. Aquela oliveira acompanhar-nos-á nas nossas casas para nos recordar quanto é grande o amor de Deus. Ele é a nossa paz, porque não tem inimigos e não Se salva a Si mesmo. O amor derrota o mal. Queremos ou não, também nós, aprender um amor assim? Queremos ser homens e mulheres de paz como Jesus? A Paixão é o caminho da alegria. Percorramos esse caminho com Jesus para ressuscitarmos com Ele.