Oração do Dia do Senhor

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V de Páscoa
Memória de Santa Catarina de Siena (? 1380): trabalhou pela paz, pela unidade dos cristãos e pelos pobres.


Primeira Leitura

Actos dos Apóstolos 9,26-31

Chegado a Jerusalém, Saulo procurava reunir-se aos discípulos, mas todos tinham medo dele, não querendo acreditar que fosse um discípulo. Barnabé tomou-o, então, consigo, levou-o aos Apóstolos e contou-lhes como ele, no caminho, tinha visto o Senhor, que lhe falara, e com que coragem ele anunciara o nome de Jesus em Damasco. A partir desse dia, ficou com eles, indo e vindo por Jerusalém e confessando corajosamente o nome do Senhor. Dirigia-se também aos helenistas e discutia com eles, mas estes planeavam a sua morte. Os irmãos, porém, ao saberem disto, levaram-no para Cesareia e fizeram-no seguir para Tarso. Entretanto, a Igreja gozava de paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria, crescia como um edifício e caminhava no temor do Senhor e, com a assistência do Espírito Santo, ia aumentando.

Salmo responsorial

Salmo 21 (22)

Ao Director do coro. Pela melodia «A corça da aurora».
Salmo de David.

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste,
rejeitando o meu lamento, o meu grito de socorro?

 Meu Deus, clamo por ti durante o dia e não me respondes;
durante a noite, e não tenho sossego.

Tu, porém, és o Santo
e habitas na glória de Israel.

 Em ti confiaram os nossos pais;
confiaram e Tu os libertaste.

 A ti clamaram e foram salvos;
confiaram em ti e não foram confundidos.

Eu, porém, sou um verme e não um homem,
o opróbrio dos homens e o desprezo da plebe.

Todos os que me vêem escarnecem de mim;
estendem os lábios e abanam a cabeça.

 «Confiou no Senhor, Ele que o livre;
Ele que o salve, já que é seu amigo.»

Na verdade, Tu me tiraste do seio materno;
puseste-me em segurança ao peito de minha mãe.

 Pertenço-te desde o ventre materno;
desde o seio de minha mãe, Tu és o meu Deus.

 Não te afastes de mim, porque estou atribulado
e não há quem me ajude.

Rodeiam-me touros em manada;
cercam-me touros ferozes de Basan.

 Abrem contra mim as suas fauces,
como leão que despedaça e ruge.

Fui derramado como água;
e todos os meus ossos se desconjuntaram;
o meu coração tornou-se como cera
e derreteu-se dentro do meu peito.

 A minha garganta secou-se como barro cozido
e a minha língua pegou-se-me ao céu da boca;
reduziste-me ao pó da sepultura.

 Estou rodeado por matilhas de cães,
envolvido por um bando de malfeitores;
trespassaram as minhas mãos e os meus pés:

 posso contar todos os meus ossos.
Eles olham para mim cheios de espanto!

Repartem entre si as minhas vestes
e sorteiam a minha túnica.

 Mas Tu, Senhor, não te afastes de mim!
És o meu auxílio: vem socorrer-me depressa!

 Livra a minha alma da espada,
e, das garras dos cães, a minha vida.

 Salva-me da boca dos leões;
livra-me dos chifres dos búfalos.

 Então anunciarei o teu nome aos meus irmãos
e te louvarei no meio da assembleia.

 Vós, que temeis o Senhor, louvai-o!
Glorificai-o, descendentes de Jacob!
Reverenciai-o, descendentes de Israel!

 Pois Ele não desprezou nem desdenhou a aflição do pobre,
nem desviou dele a sua face;
mas ouviu-o, quando lhe pediu socorro.

 De ti vem o meu louvor na grande assembleia;
cumprirei os meus votos na presença dos teus fiéis.

Os pobres comerão e serão saciados;
louvarão o Senhor, os que o procuram.
«Vivam para sempre os vossos corações.»

 Hão-de lembrar-se do Senhor e voltar-se para Ele
todos os confins da terra;
hão-de prostrar-se diante dele
todos os povos e nações,

 porque ao Senhor pertence a realeza.
Ele domina sobre todas as nações.

 Diante dele hão-de prostrar-se todos os grandes da terra;
diante dele hão-de inclinar-se todos os que descem ao pó
e assim deixam de viver.

Uma nova geração o servirá
e narrará aos vindouros as maravilhas do Senhor;

 ao povo que vai nascer dará a conhecer a sua justiça,
contará o que Ele fez.

Segunda Leitura

I São João 3,18-24

Meus filhinhos, não amemos com palavras nem com a boca, mas com obras e com verdade. Por isto conheceremos que somos da verdade e, na sua presença, sentir-se-á tranquilo o nosso coração, mesmo quando o coração nos acuse; pois Deus é maior que o nosso coração e conhece tudo. Caríssimos, se o coração não nos acusa, então temos plena confiança diante de Deus, e recebemos dele tudo o que pedirmos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que lhe é agradável. E este é o seu mandamento: que acreditemos no Nome de seu Filho, Jesus Cristo e que nos amemos uns aos outros, conforme o mandamento que Ele nos deu. Aquele que guarda os seus mandamentos permanece em Deus e Deus nele; e é por isto que reconhecemos que Ele permanece em nós: graças ao Espírito que nos deu.


Leitura do Evangelho

Aleluia aleluia, aleluia

Ontem fui sepultado com Cristo,
hoje ressuscito convosco que ressuscitastes;
convosco fui crucificado,
recordai-vos de mim, Senhor, no vosso Reino.

Aleluia aleluia, aleluia

São João 15,1-8

«Eu sou a videira verdadeira e o meu Pai é o agricultor. Ele corta todo o ramo que não dá fruto em mim e poda o que dá fruto, para que dê mais fruto ainda. Vós já estais purificados pela palavra que vos tenho anunciado. Permanecei em mim, que Eu permaneço em vós. Tal como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, mas só permanecendo na videira, assim também acontecerá convosco, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira; vós, os ramos. Quem permanece em mim e Eu nele, esse dá muito fruto, pois, sem mim, nada podeis fazer. Se alguém não permanece em mim, é lançado fora, como um ramo, e seca. Esses são apanhados e lançados ao fogo, e ardem. Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedi o que quiserdes, e assim vos acontecerá. Nisto se manifesta a glória do meu Pai: em que deis muito fruto e vos comporteis como meus discípulos.»

 

Aleluia aleluia, aleluia

Ontem fui sepultado com Cristo,
hoje ressuscito convosco que ressuscitastes;
convosco fui crucificado,
recordai-vos de mim, Senhor, no vosso Reino.

Aleluia aleluia, aleluia

Homilia

A Palavra de Deus realça a necessidade de "ficarmos" em Jesus, um tema particularmente caro a João. Na sua primeira Carta escreve: "Quem cumpre os mandamentos está com Deus, e Deus está com ele". E na parábola da videira e dos ramos, os termos "ficar" e "estar" são o seu fulcro.
Isaías, no admirável "Canto da vinha", descreve a desilusão de Deus em relação a Israel, Sua vinha, que tinha cuidado, plantado, lavrado, defendido, mas da qual não teve outra coisa senão frutos amargos. Nas palavras de Jesus há, no entanto, uma mudança bastante singular. A videira já não é Israel, mas Ele mesmo: "Eu sou a verdadeira videira". Ninguém tinha dito isso antes. Para compreender plenamente estas palavras, é necessário colocá-las no contexto da Última Ceia, quando Jesus as pronunciou. Jesus identifica-Se com a videira, especificando que é a "verdadeira" videira, obviamente para Se distinguir da "falsa". E acrescenta: "Eu sou a videira e vós os ramos". Os discípulos estão ligados ao Mestre e são parte integrante da videira: não existe videira sem ramos e vice-versa. É uma ligação que vai bem além dos nossos altos e baixos psicológicos, das nossas boas e más condições.
O Evangelho prossegue: "Os ramos que dão fruto, poda-os para que dêem mais fruto ainda". É verdade, também os que "dão fruto", conhecem igualmente o momento da poda. São aqueles cortes que de tempos a tempos, precisamente como acontece na vida natural, é necessário fazer para que possamos ser "sem mancha" (Ef 5, 27). O texto evangélico não diz que Deus manda dor e sofrimento aos seus melhores filhos para os provar ou purificar. O Senhor não precisa de intervir com o sofrimento para melhorar os Seus filhos. A vida espiritual é sempre um itinerário ou, se preferirmos, um crescimento. Não há idade da vida que não exija mudanças e correcções e, precisamente, podas. Esses cortes, às vezes também muito dolorosos, purificam a nossa vida e fazem correr com mais vigor a linfa do amor do Senhor.
Jesus repete seis vezes: "Ficai unidos a Mim". É a condição para podermos dar frutos, para nunca secarmos e, portanto, sermos cortados e queimados. Provavelmente, naquela noite os discípulos não entenderam. Jesus indicava um caminho para ficarem com Ele: ficamos com Ele, se as "Suas palavras permanecerem em nós", como Jesus realça. É o caminho que Maria, Sua Mãe, empreendeu, Ela que "conservava todos estes factos e meditava sobre eles no seu coração". É o caminho que Maria, a irmã de Lázaro, escolheu e que permanecia aos pés de Jesus para O escutar. É o caminho traçado para todos os discípulos. Na tradição bizantina há um esplêndido ícone que reproduz plasticamente esta parábola evangélica. No centro do ícone está pintado o tronco da videira sobre o qual Jesus está sentado com as Escrituras abertas. Do tronco partem doze ramos em cada um dos quais, está sentado um apóstolo com as Escrituras abertas entre as mãos. É a imagem da nova videira, a imagem da nova comunidade que tem a sua origem em Jesus, a verdadeira videira. Aquele livro aberto que está nas mãos de Jesus é o mesmo que os apóstolos têm: é a verdadeira linfa que permite não amar com palavras nem com a língua, mas com obras e de verdade.