Oração da vigília

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Festa da Transfiguração do Senhor no monte Tabor.
Recordação de Hiroshima no Japão, onde foi lançada em 1945 a primeira bomba atómica.


Leitura da Palavra de Deus

Aleluia aleluia, aleluia

Todo o que vive e crê em mim
não morrerá jamais.

Aleluia aleluia, aleluia

São Lucas 9,28-36

Uns oito dias depois destas palavras, levando consigo Pedro, João e Tiago, Jesus subiu ao monte para orar. Enquanto orava, o aspecto do seu rosto modificou-se, e as suas vestes tornaram-se de uma brancura fulgurante. E dois homens conversavam com Ele: Moisés e Elias, os quais, aparecendo rodeados de glória, falavam da sua morte, que ia acontecer em Jerusalém. Pedro e os companheiros estavam a cair de sono; mas, despertando, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com Ele. Quando eles iam separar-se de Jesus, Pedro disse-lhe: «Mestre, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para ti, uma para Moisés e outra para Elias.» Não sabia o que estava a dizer. Enquanto dizia isto, surgiu uma nuvem que os cobriu e, quando entraram na nuvem, ficaram atemorizados. E da nuvem veio uma voz que disse: «Este é o meu Filho predilecto. Escutai-o.» Quando a voz se fez ouvir, Jesus ficou só. Os discípulos guardaram silêncio e, naqueles dias, nada contaram a ninguém do que tinham visto.

 

Aleluia aleluia, aleluia

Se tu creres verás a glória de Deus
diz o Senhor.

Aleluia aleluia, aleluia

O monte da transfiguração, que a tradição sucessiva identificará com o Tabor, apresenta-se como imagem de qualquer itinerário espiritual. Podemos imaginar Jesus que nos chama também a nós para nos levar consigo para o monte, tal como fez com os três discípulos mais chegados, para viverem com Ele a experiência da comunhão íntima com o Pai. Alguns comentadores sugerem que o conto narre uma experiência espiritual que envolveu, antes de mais, Jesus: uma visão celeste que provocou n'Ele uma transfiguração. É uma hipótese que nos permite colher mais profundamente a vida espiritual de Jesus. Às vezes, esquecemo-nos que também Ele teve o Seu itinerário espiritual, também Ele teve de subir ao monte, tal como Abraão e, depois, Moisés, Elias e todo o crente. Isto é, também Jesus sentiu a necessidade de "subir" ao Pai, de Se encontrar com Ele. É verdade que a comunhão com o Pai era a Sua essência, toda a Sua vida, o pão dos Seus dias, a substância da Sua missão, o fulcro de tudo aquilo que era e que fazia; mas, provavelmente, também Ele tinha necessidade de momentos em que esta relação íntima emergisse na sua plenitude. Decerto, os discípulos precisavam disso. Pois bem, o Tabor foi um daqueles momentos peculiares de comunhão que o Evangelho estende a toda a história do povo de Israel, como testemunha a presença de Moisés e de Elias que «falavam com Ele». Jesus não viveu sozinho esta experiência; envolveu também os Seus três amigos mais chegados. Foi um dos momentos mais significativos para a vida pessoal de Jesus e, também, para a dos três discípulos e para a de todos os que se deixam envolver nesta subida. E, na vida de todos os dias com o Senhor, na oração, na escuta das Escrituras, somos chamados sempre a transfigurar a nossa vida e o mundo que nos circunda.