Comunità di S.Egidio


 

Correio da manhã

18/06/2004

A ACUSAÇÃO É DO FUNDADOR DA COMUNIDADE DE SANTO EGÍDIO
Política de saúde do Governo moçambicano “é pouco clara”

 

O fundador da Comunidade de Santo Egídio, o italiano Andrea Riccardi, acusou o Governo moçambicano de desenvolver uma “política pouco clara na Saúde” e queixou-se da falta de colaboração das autoridades no combate à SIDA.

Falando numa conferência de imprensa esta quinta-feira em Maputo, o dirigente da comunidade, uma associação pública de leigos da igreja com sede em Roma, disse que a sua organização enfrenta dificuldades na realização em Moçambique do programa DREAM, um projecto desenvolvido para combater a SIDA na África subsaariana.

“É necessária uma colaboração maior das instituições de Saúde com o programa DREAM”, apelou Andrea Riccardi, que caracterizou os problemas como “dificuldades de uma administração pública que tem que se mover com maior agilidade”. “As dificuldades são de direcção política e de homens. E são dificuldades de impedimento burocrático e de uma política pouco clara de Saúde”, acusou o fundador da comunidade.

“Na política de Saúde tem que haver uma compreensão mais inteligente das forças em campo”, prosseguiu Andrea Riccardi.

As relações entre o Governo de Moçambique e a Comunidade de Santo Egídio têm sido marcadas por críticas mútuas, considerando as entidades de Saúde que a organização nem sempre se integra no plano de Saúde do país.

Uma dos intervenientes no processo que conduziu ao acordo geral de paz em Moçambique, em 1992, a Comunidade de Santo Egídio implementou o programa DREAM no país em 2002, considerando que se trata de um dos casos de maior sucesso no combate à SIDA no continente africano.

Desde essa data, a organização reclama uma taxa de 97 porcento nos bebés nascidos sem HIV de mães seropositivas, “graças à terapia antiretroviral a partir das 32 semanas e a uma abordagem global”.

Actualmente, o DREAM assiste a cerca de 4300 pessoas infectadas, num processo de acompanhamento global.